João pinheiro arrasa o Sporting

No futebol moderno, tantas vezes dominado pela suspeição, pelo cálculo e pela permanente tentativa de explorar cada decisão arbitral, há gestos que deveriam ser celebrados como raros exemplos de integridade. O episódio ocorrido no jogo entre Alverca e Sporting, envolvendo Luis Suárez e o árbitro João Pinheiro, deveria ter sido um desses momentos. Não foi. E, antes de ir aos factos, importa fazer um ponto prévio: Este episódio, a somar a outros, reforça um histórico (lamentável) de decisões de João Pinheiro contra o Sporting. Os limites do razoável há muito que foram ultrapassados.

Mas vamos ao que se passou. Perante a marcação de uma grande penalidade a seu favor, Luis Suárez teve uma reação pouco comum: recusou o benefício, afirmando de forma clara — por palavras e gestos — que não tinha sofrido falta. Num contexto competitivo onde, frequentemente, o silêncio ou até o exagero são recompensados, este gesto representou uma afirmação inequívoca de fair-play e de respeito pelo jogo.

 

Contudo, a resposta de João Pinheiro não só ignorou esse exemplo como o penalizou. Ao exibir cartão amarelo ao jogador, o árbitro transmitiu uma mensagem profundamente errada: a de que a honestidade é irrelevante — ou pior, indesejável — dentro das quatro linhas. Equiparar, na prática, um ato de correção a comportamentos antidesportivos é um sinal preocupante sobre os critérios e a sensibilidade disciplinar. Quando se fala de fair-play é preciso, antes de mais, ser fair e implica que haja fairness. E João Pinheiro, como se sabe e como já ficou por diversas vezes demonstrado, não consegue ser fair quando o Sporting está em campo.

 

Este lance encerra, assim, uma dupla falha grave. Primeiro, a decisão técnica de assinalar um penálti inexistente. Depois, e mais inquietante ainda, a incapacidade de reconhecer e valorizar um comportamento exemplar. O futebol precisa de regras, mas também de bom senso. Precisa de autoridade, mas também de discernimento.

 

Quando um árbitro não distingue entre a verdade e a simulação, entre a ética e a batota, compromete não apenas o jogo, mas a credibilidade da própria arbitragem. E, nesse sentido, este episódio levanta dúvidas legítimas sobre a consistência e o nível exigido a quem tem responsabilidades tão decisivas. E mais, impede que João Pinheiro possa continuar a ser considerado o melhor árbitro português.

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