A mensagem de prestianni ao Vinícius jr
Eis o que se sabe sem suposições: o Benfica jogou contra o Real Madrid em Lisboa. Vinícius marcou o magnífico golo da vitória do Real. Festejou com gesto ordinário para os adeptos do Benfica. E depois insultou Prestianni. Logo a seguir, desatou a correr e disse ao árbitro que o extremo argentino lhe tinha chamado «mono», macaco em português
O árbitro acionou o protocolo anti-racismo, o jogo esteve suspenso, e só retomou alguns largos minutos depois. Prestianni negou sempre ter chamado macaco a Vinícius. Mbappé diz que ouviu o jogador do Benfica, que tinha a camisola à frente da boca, chamar macaco ao astro brasileiro cinco vezes. Mbappé, claro, é do Real Madrid e tem interesse em apoiar Vinícius na suspensão de Prestianni. Mas Mbappé estava longe do internacional jovem pela Argentina quando isso aconteceu. Aliás, também Vinícius estava a uns metros de Prestianni, que terá falado através da camisola, que abafa naturalmente o som. E, claro, no relvado o ruído de fundo é enorme, por força dos sons emitidos pelos 64.876 espectadores.
Em resumo, é impossível provar o que disse ou não disse o futebolista argentino. E daqui não é possível sair. E, sem qualquer evidência, e mesmo depois de o jogador ter afirmado não ter cometido qualquer ato de racismo, a UEFA julgou-o na praça pública e, ao suspendê-lo por um jogo, declarou-o culpado. E o Benfica perdeu em Madrid por 2-1. Nunca saberemos como seria sem o caso Prestianni, mas sabemos que o Benfica foi claramente prejudicado pela UEFA.
Na Idade Média, e noutras idades das trevas, também era assim. As pessoas acusadas pelos poderosos, ou noutros casos pelas multidões, eram consideradas culpadas e tinham de provar a sua inocência. Ora, a prova da inocência é chamada prova diabólica, por ser impossível de fazer. Por isso existe a presunção de inocência, a necessidade de provar a culpa de alguém. Até essa prova ser feita, todos somos inocentes, mesmo que do crime mais vil.
Diga-se que Vinícius é um extraordinário jogador e já foi vítima de racismo. O artigo 14.º do Regulamento Disciplinar da UEFA diz o seguinte: quem «insultar a dignidade humana de uma pessoa (…) por quaisquer motivos, incluindo cor da pele, raça, religião, origem étnica, género ou orientação sexual, incorre numa suspensão de pelo menos 10 jogos ou outro período especificado (…)». Ninguém tem dúvidas de que chamar macaco a alguém viola este artigo. Como ninguém tem dúvidas que o racismo é altamente censurável. E que chamar, como Vinícius fez — quanto a isso os especialistas em leitura labial estão certos —, burro e cagão de m****, também viola o artigo 14.º. E é também injurioso. A UEFA decidiu, pois, que insultos provados são menos sérios do que insultos não provados nem ouvidos por terceiros, desde que estes sejam raci
ais.
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