António Simões pede “bens-senso” no caso Ronaldo: «A Seleção não é uma herdade e Ninguém É Eterno»
António Simões pede “bens-senso” no caso Ronaldo: «A Seleção não é uma herdade e Ninguém É Eterno»
LISBOA — Numa intervenção contundente e de tom pacificador durante um fórum sobre o futuro do futebol nacional na Associação de Futebol de Lisboa, António Simões, lenda viva do Benfica e campeão europeu de 1962, abordou sem rodeios o clima de crispação que envolve Cristiano Ronaldo, o selecionador Jorge Jesus e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Para o antigo internacional português de 82 anos, o momento exige maturidade institucional, diálogo frontal e a superação de egos. Simões sublinhou que Cristiano Ronaldo continua a ser um ativo indiscutível do futebol português, mas deixou um aviso claro sobre a gestão do capitão na fase final da sua carreira.
> «Ninguém discute o peso histórico de Cristiano Ronaldo. Ele deu-nos tudo e continua a ter capacidade para ser decisivo. No entanto, há um princípio inviolável no futebol de alta competição: a Seleção Nacional é um bem público, não é uma herdade privada. Cristiano pode e deve continuar a ser útil, mas tem de aceitar, com naturalidade e nobreza, que já não pode partir do princípio de que jogará sempre os 90 minutos ou que a titularidade é um dado adquirido», afirmou António Simões.
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“Jorge Jesus tem de ser selecionador, não gestor de egos”
O antigo extremo dos “Magriços” dirigiu também palavras ao atual selecionador nacional, Jorge Jesus, pedindo-lhe assertividade acompanhada de tato pedagógico na condução do balneário:
> «O Jorge Jesus é um treinador com provas dadas, mas treinar a Seleção exige um equilíbrio emocional diferente de um clube. O diálogo entre ele, o Cristiano e o presidente da FPF tem de ser feito à porta fechada, olho no olho. A Federação tem de proteger a instituição e o treinador tem de ter a coragem de gerir a equipa segundo critérios estritamente desportivos, sem medo de nomes. O segredo está na tolerância e na clareza de processos.»
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Simões concluiu apelando à reflexão coletiva para evitar que os últimos anos da carreira do maior futebolista português de sempre fiquem marcados por divisões desnecessárias no seio da Equipa das Quinas: «O futebol passa, as lendas ficam, mas a Seleção Nacional estará sempre acima de todos nós.»
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